domingo, 30 de agosto de 2026

Ainda Camilo Pessanha

Estive, nestas semanas, preparando uma comunicação sobre Camilo Pessanha. 


Como é para um evento sobre o Simbolismo, revisitei, depois de muitos anos, o livro de uma professora italiana, Barbara Spaggiari, O Simbolismo na obra de Camilo Pessanha.


Quando escrevi Nostalgia, exílio e melancolia, há um quarto de século, posicionei-me frontalmente contra o tipo de abordagem que ela representava. O mesmo tinha feito Gustavo Rubim, em Experiência da alucinação, o que me dispensou do trabalho de desmonte e me permitiu economizar várias páginas com uma remissão ao seu trabalho.


Na sequência, porém, fui constatando que o problema é ainda mais básico: falta a Spaggiari o sentimento da língua portuguesa, o conhecimento das entonações e, o que é mais grave para uma filóloga, até mesmo o domínio de alguns de seus aspectos formais. Acredita, por exemplo, que em português dizemos “atOno”, e não “átono”. É por isso que, quando se debruça sobre o texto, e não sobre generalizações derivadas de uma visão escolar da história literária, raramente faz um comentário pertinente sobre a forma e a construção do poema.


De qualquer maneira, é um livro útil: num artigo ou numa aula, é sempre um bom exemplo do que não é aconselhável como filologia nem como crítica literária.

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