quinta-feira, 24 de maio de 2012

Relações brasileiras de Eça (Eduardo Prado e outros)

Relações brasileiras de Eça de Queirós

 [Este texto foi escrito para servir de introdução à publicação da correspondência de Eça com brasileiros, nas obras completas do autor, publicadas pela Editora Aguilar em 2000]

 
No conjunto de cartas apresentado a seguir, não são muitos os nomes brasileiros. Deve-se isso, entretanto, mais ao acaso do que à real dimensão das relações brasileiras de Eça de Queirós, que foram sempre, principalmente depois que se instalou em Paris, muitas e variadas. Assim, não há aqui nenhuma carta de Eça a Joaquim Nabuco, que ele conheceu e com quem quase com certeza se correspondeu. Tampouco há aqui qualquer carta endereçada a Olavo Bilac, apesar de sabermos que o poeta brasileiro freqüentou a casa do romancista português e que ambos elaboraram, para diversão da família de Eça, uma jocosa peça de teatro a quatro mãos.
Esses são os nomes mais conhecidos, mas temos elementos para imaginar que não foi pequeno o volume da correspondência trocada entre Eça de Queirós e vários dos muitos brasileiros que, pela mão de Eduardo Prado ou de Domício da Gama, foram levados ao seu conhecimento. Perdidas ou ainda por encontrar, muitas cartas de Eça devem ter cruzado o Atlântico, como extensão e continuidade das sessões de cavaqueira que tornavam a sua casa um centro obrigatório para os intelectuais do nosso país, quando em viagem pela Europa. Das cartas de Eça, quase tudo se perdeu ou está ainda por achar em arquivos espalhados pelo nosso país. Já a grande maioria das que daqui foram enviadas para lá com certeza desapareceu, pois não tinha o autor de Os Maias o hábito de conservar as cartas que ia recebendo. E para constatar que o desaparecimen­to das cartas enviadas a Eça por amigos brasileiros não constitui um caso particular, devido a alguma diferença de tratamento, basta lembrar que, da correspondên­cia mantida com “Santo” Antero ao longo de quase trinta anos, só nos restaram duas cartas. Se Eça não conservou os papéis a ele enviados por aquele de quem se confessou discípulo para toda a vida, que esperar do destino de outra correspondência, certamente muito menos importante para ele tanto do ponto de vista intelectual, quanto afetivo?
Assim, devemos ter muito claro que o material hoje disponível, no que diz respeito ao Brasil, é apenas uma parte muito pequena do que foi de fato enviado e recebido, e que a presença do mundo intelectual brasileiro no quotidiano de Eça, principalmente no período parisiense, foi muito maior e significativa do que a mera identificação dos nomes dos destinatários das cartas e o teor dos textos aqui reunidos poderia sugerir.
Feita essa primeira observação, identifiquemos agora os brasileiros que se incluem na lista dos destinatários desta correspondência. Em primeiro lugar nessa lista vem Eduardo Prado. Amigo do romancista, freqüentador de sua casa, Eduardo Prado foi, sem dúvida, uma presença importante na vida do escritor e da família Queirós.


Eduardo Prado é hoje um autor quase esquecido.

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