Relações brasileiras de Eça de Queirós
[Este texto foi escrito para servir de introdução à publicação da correspondência de Eça com brasileiros, nas obras completas do autor, publicadas pela Editora Aguilar em 2000]
No conjunto de cartas apresentado a seguir, não
são muitos os nomes brasileiros. Deve-se isso, entretanto, mais ao acaso do que
à real dimensão das relações brasileiras de Eça de Queirós, que foram sempre,
principalmente depois que se instalou em Paris, muitas e variadas. Assim, não
há aqui nenhuma carta de Eça a Joaquim Nabuco, que ele conheceu e com quem
quase com certeza se correspondeu. Tampouco há aqui qualquer carta endereçada a
Olavo Bilac, apesar de sabermos que o poeta brasileiro freqüentou a casa do
romancista português e que ambos elaboraram, para diversão da família de Eça,
uma jocosa peça de teatro a quatro mãos.
Esses são os nomes mais conhecidos, mas temos
elementos para imaginar que não foi pequeno o volume da correspondência trocada
entre Eça de Queirós e vários dos muitos brasileiros que, pela mão de Eduardo
Prado ou de Domício da Gama, foram levados ao seu conhecimento. Perdidas ou
ainda por encontrar, muitas cartas de Eça devem ter cruzado o Atlântico, como
extensão e continuidade das sessões de cavaqueira que tornavam a sua casa um
centro obrigatório para os intelectuais do nosso país, quando em viagem pela
Europa. Das cartas de Eça, quase tudo se perdeu ou está ainda por achar em
arquivos espalhados pelo nosso país. Já a grande maioria das que daqui foram
enviadas para lá com certeza desapareceu, pois não tinha o autor de Os Maias
o hábito de conservar as cartas que ia recebendo. E para constatar que o
desaparecimento das cartas enviadas a Eça por amigos brasileiros não constitui
um caso particular, devido a alguma diferença de tratamento, basta lembrar que,
da correspondência mantida com “Santo” Antero ao longo de quase trinta anos,
só nos restaram duas cartas. Se Eça não conservou os papéis a ele enviados por
aquele de quem se confessou discípulo para toda a vida, que esperar do destino
de outra correspondência, certamente muito menos importante para ele tanto do
ponto de vista intelectual, quanto afetivo?
Assim, devemos ter muito claro que o material
hoje disponível, no que diz respeito ao Brasil, é apenas uma parte muito
pequena do que foi de fato enviado e recebido, e que a presença do mundo
intelectual brasileiro no quotidiano de Eça, principalmente no período parisiense,
foi muito maior e significativa do que a mera identificação dos nomes dos
destinatários das cartas e o teor dos textos aqui reunidos poderia sugerir.
Feita essa primeira observação, identifiquemos
agora os brasileiros que se incluem na lista dos destinatários desta
correspondência. Em primeiro lugar nessa lista vem Eduardo Prado. Amigo do
romancista, freqüentador de sua casa, Eduardo Prado foi, sem dúvida, uma
presença importante na vida do escritor e da família Queirós.
Eduardo Prado é hoje um autor quase esquecido.
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