O jogo dos sentidos em Eça
de Queirós [1]
A
mais famosa crítica já feita ao romance queirosiano foi a resenha que Machado
de Assis publicou de O Primo Basílio logo que o romance foi lançado.
Não
vou tratar aqui em pormenores desse texto tão importante quanto, me parece, mal
lido nos últimos tempos. Principalmente porque já o fiz muito recentemente.[2]
Mas devo comentá-lo de passagem e topicamente, porque o ponto que me interessa
discutir aqui é um aspecto da obra de Eça que, desde o texto de Machado, está
devidamente identificado na sua importância e singularidade, mas nem sempre tem
sido corretamente avaliado e interpretado do ponto de vista da estrutura do universo
queirosiano.
Trata-se do que se poderia chamar
de sensualidade ou, para usar uma palavra que elimine impertinentes conotações sexuais, sensoriedade.
Machado
de Assis percebeu bem que a notação de gestos, odores, matizes, volumes,
texturas, sons e sabores tinha enorme importância na narrativa do romancista
português. Mas, sendo a sua perspectiva informada por uma exigência de funcionalidade
dramática e psicológica, entendeu essa notação minuciosa como gosto pela
superficialidade e atendimento a preceito de escola. Foi o que denominou, no
primeiro registro, "preocupação constante com o acessório" e, no
segundo, estética de "inventário".
Continua aqu: https://a.co/d/0ha0VKjJ
O crítico é o pai do autor. Seria interessante estudar a influência de o primo basílio em Machado. Por que esta obra pertubou Machado ? Até então qual foi a produção de Machado? O quanto de O primo Basílio não está presente em memórias, escrito dois anos depois? somente depois desta leitura de Eça que Machado abandona o romance romântico da mulher ingênua e coloca em cena o adultério explícito. O quanto de Luisa não está em Virgília, de Jorge em Lopo Neves, e do Sedutor Basílio em Brás Cubas? Fica a dúvida a respeito da influência de Eça em Machado, e seu ensaio abre uma instigante reflexão a este respeito. Antonio Brito.
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