Cinquenta microcontos em que objetos e bichos assumem jurisdição sobre o mundo humano. O coador de café seleciona o amanhecer. O carimbo de ALTA recusa entusiasmo precoce. A samambaia do quarto andar investe semanas num solteiro e morre de desgosto. O lagarto corre atrás do próprio rabo porque acredita que, se fechar o anel, entenderá alguma coisa.
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Dentro da caixa de papelão esquecida no porão, a barata vivia em delírio. Chamava-se Clotilde e acreditava ser piloto de caça. Dava rasantes entre latas, zumbia slogans de guerra e gritava: — Missão Baratikov, decolando! Numa tarde, Zeca abriu a caixa com um canivete. Clotilde atacou em espiral kamikaze. Zeca gritou, derrubou tudo, e o canivete voou longe. No caos, a barata pousou triunfante no seu ombro. Zeca selou um tratado com farelo de bolacha. Desde então, Clotilde reina no pedaço — generalíssima da República Autônoma do Papelão.
